Vinte e uma horas, nove metros quadrados de couro, 275 preguinhos revestidos e incrustados meticulosamente por pequenos martelos. Tudo costurado manualmente com metros de linha. Esta é a receita tão minuciosa quanto preciosa que dá vida a um ícone do design “Made in Italy”: a Vanity Fair, um dos modelos mais requisitados da centenária Poltrona Frau.

Ícone do design surgiu do desejo de um artesão de superar o estilo de decoração em voga

A história da icônica poltrona começou em 1912, quando o então artesão e tapeceiro Renzo Frau deixou a sua ilha natal, a Sardenha, em direção à metrópole Turim, no norte da Itália. Foi de suas mãos que nasceu a Frau.

Na época com 32 anos, ele desejava apenas superar o estilo de decoração em voga. Renzo queria trabalhar peças que fossem funcionais e produzidas em série: “A poltrona de couro deve ser bonita, cômoda e clássica”, certificava o empresário.

Os detalhes meticulosos, a sensação tátil e a variação de cores ajudaram a fazer da marca Frau um sinônimo internacional de qualidade e modernidade. Mas a primeira “obra de arte” criada por Renzo foi o sofá “Chester”, um modelo histórico, que ainda hoje tem como marca registrada o estofado feito manualmente em plissé.

“A nossa força é ter mantido invariável, durante todos esses anos, o valor dos nossos produtos, com base no artesão. Isso se resume artesão e inovação, mais produção artesanal”, explica o diretor da marca Roberto Archetti, que está na empresa desde 1988.

Trabalho artesanal e tonalidades exclusivas.

Assim como sonhou seu fundador, um apaixonado pelo trabalho do artesão que produz excelência as peças da poltrona Frau são um clássico da decoração, que passam de pai para filho, de avô para neto. Jamais perdem o senso estético que fez da grife um dos símbolos da alta burguesia italiana.

Em Tolentino, no centro da Itália, onde está a fábrica da empresa, há também uma área dedicada ao restauro de peças.

“Aqui uma poltrona ou sofá desgastado pelo tempo ganha vida nova graças aos nosso artesãos”, explica o diretor.

A maior parte das reformas se concentra na troca dos revestimentos. Hoje, o couro utilizado é diferente. Batizado de Pelle Frau, marca registrada pela empresa, possui uma gama variada de cores e tons.

Os primeiros modelos eram produzidos em couro neutro e posteriormente recebiam uma camada de tinta. Mas com o tempo, eles perdiam a cor. O problema foi resolvido com as novas tecnologias.

Hoje, o cliente da Frau pode escolher o clássico couro “color system”, quase insensível às manchas e aos arranhões. Ou preferido é o couro “soul”: macio, mas que envelhece com o passar dos anos, o que confere autenticidade ao produto.

A fábrica da Poltrona Frau em Tolentino é um verdadeiro santuário da decoração artesanal. É lá que ainda bate forte o coração e a mente do patriarca Renzo Frau. Suas ideias ainda guiam a produção da marca.

Em um dos enormes pavilhões, centenas de artesãos se revezam em cortar, costurar, pregar, revestir e controlar a qualidade de cada produto. Em outra sala estão reunidas, por exemplo, 96 tonalidades exclusivas destinadas apenas aos modelos clássicos da Frau, como a poltrona Vanity Fair e o sofá Chester.

Hoje, produzem assentos para a Ferrari, iates e jatinhos

Assim como diz o ditado sobre a pressa ser inimiga da perfeição, o processo de fabricação das poltronas e sofás é mesmo demorado.

Um sofá Chester consome de 36 a 40 horas para ser finalizado, para se tornar uma obra prima — comenta o diretor da marca Roberto Archetti.

Já o John-John, do designer francês Jean Marie Massaud, é feito em pelo menos 20 horas. O trabalho de artesão e o design são outras duas forças dos 100 anos da Poltrona Frau. Não abrem mão disso.

Nos anos 60, a beleza e a solidez da marca passaram a atrair nomes do design mundial. O italiano Gio Ponti foi o primeiro a assinar um produto da Frau, a poltrona Dezza, criada em 1965. Ele foi seguido por Michele De Lucchi, Achille Castiglione e Piero Lissoni , além de jovens talentos como François Azambourg e Monica Foster.

O estilo clássico da Poltrona Frau também conquistou outros setores como o automobilismo. Nos 41 m² da fábrica há um ambiente reservado para a produção de assentos em couro para as velozes Ferrari e jatinhos particulares, poltronas e sofás para iates de luxo.

Tudo feito rigorosamente com as caracteristicas da excelência, tipica do artesão: tradição. inovação, território, paixão, talento.

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Fonte: Focus Excelência